
quero uma casa muito engraçada
mas que tenha tudo, não aquela que não tem nada
que tenha tanta coisa que eu me perco dentro dela
que tenha corredores que levem a todos os lugares, paris, japão, tibet.
e me leve também pra quartos nunca antes descobertos.
quartos escuros com abajur janelas redondas e varandas pro infinito.
e que tenham cachoeiras descendo de minhas varandas, pra eu descer de bote.
vistas para um céu eterno em que eu possa ver tudo, até mesmo dentro das pessoas.
e tão alto que dê pra subir nas costas de animais voadores.
quero também uma máquina de café que lê pensamento, que faça café pra sempre. toda hora. e um café com tanta cafeína que dá até overdose. convenientemente, é claro.
e quero que tenha um despertador que só toque na hora que quero acordar e que me acorde com uma canção do milton nascimento. ou melhor, quero que o milton nascimento vá me acordar no meu quarto cantando ao pé da minha cama. melhor ainda, um afago.
é preciso também uma banheira com água corrente e que seja do tamanho que eu quiser. com uma espuma que também lave a alma, e um shampoo que faça minha cabeça.
que eu possa ser outra pessoa depois de um banho. e um espelho que reflete o que ninguém mais vê.
preciso de uma internet que não só me conecte ao mundo, mas cabos de fibra ótica que me carreguem pra qualquer lugar que aparecer no google earth. clico aleatoriamente.
e um computador que nunca pifa.
quero uma cadeira que me faça massagem. e uma cama que me adormeça em sono profundo e me traga sonhos de outros planetas, com pessoas de quatros braços e cobertas de cinza, destruindo e recriando mundos.
colocarei no quintal um escorregador em queda livre, com uma distância suficiente pra eu nao conseguir respirar mais e levar tanto susto a ponto de achar que vou morrer, mas ter a certeza que não. e cair em uma nuvem e lembrar que viver é bom.
uma gangorra que me balance com o ritmo da brisa e faça balançar também meu cabelo e que eu possa largar as mãos sem cair, e levantar o braços com leveza. e da gangorra ver um pé de fruta qualquer, que nasce a fruta que tiver que nascer, e que caem do pé suavemente e rolem na grama. pra alimentar o mundo, e eu.
e quero que do porão apareçam coisas esquisitas, bizarras, tão estranhas que eu não possa acreditar que existam.
pra eu nunca perder a capacidade de me espantar.
e quero também que faça um silêncio profundo, tão em paz que eu possa pensar em tudo, e desvendar o mundo.
e criar teorias que revolucionem a história da humanidade.
e um ar puro, que jamais foi respirado antes, pra eu sentir a natureza como ela é.
e sentir o poder.


1 Comments:
agora quem ficou inspirada fui eu... rsrsrsrs mas nao pra escrita, pra vida!
;)
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