Wednesday, November 29, 2006

om



om sahanavavatu
sahanaubhunaktu
sahaviryam karva vahai
tejasvinavadhitamastu
ma vidvishavahai
om shanti shanti shantihi

Friday, November 17, 2006

Uma pequena história de uma pequena vida

Há 21 anos atras, exatamente as 5 horas da tarde, uma mulher louca com as pernas abertas dentro de um elevador de hospital coloca no mundo uma pequena menina cabeludinha e meio amarela, e um pouco ensanguentada também, com os cabelinhos desarrumados e misturados com placenta. Chegando na mesa de parto, a menina já estava berrando do lado de fora de sua mãe, apressada que era, quis vir a mundo em pleno elevador.. nao podia esperar. Em qual andar ela teria nascido? Veio fácil, sem muitas complicações ou dor e antes da hora. E ficou sem nome por muito tempo, talvez uns 3 ou 6 meses, a chamavam de tudo quanto é nome, apelidos de neném, porém nenhum fixo. Depois de muito tempo ela finalmente ganhou um nome, cresceu e passou por muitas coisas.. mal sabia ela o que iria encontrar pela frente. Mal sabia mesmo, aliás, não só não sabia como achou que tudo seria diferente do que é hoje, a vida se inverteu em sua cabeça. Mas essa pequena menina brigona e cabeluda passou pela vida e 21 anos depois ela se transformou em mim. E eu, que aqui estou, me transformarei em muitas outras nesses muitos anos que eu tenho pela frente, porque eu aprendi que a vida é assim. As coisas mudam tanto que somos diferentes a cada ano que passa. A única coisa que eu quero é que eu seja sempre melhor.. não a cada ano, mas a cada minuto da minha vida. Quero ser diferente a cada minuto que corre, e me tornar a melhor pessoa que eu conseguir. Só isso. O resto muda mesmo.. A vida não é fácil nem difícil, ela simplesmente é do jeito que tem que ser. Então que eu consiga passar por ela com toda alegria e leveza que existe em mim! Que venham os próximos 21 anos e quantos mais puderem vir!
Silvia
since 18/11/1985

Tuesday, November 07, 2006

Tipos

Tem pessoas que são hipnotizantes, já reparei. Há pouco tempo conheci uma. Engraçado porque não é questão de admiração, é de outra ordem que eu ainda não descobri. É como se eu ouvisse suas palavras e quase não conseguisse entender direito, porque eu não sei porque. Incrível como esse tipo de pessoa envolve e ultrapassa minha cabeça e eu não consigo respirar. Quando uma pessoa assim, detentora desse olhar quase assassino, fala algo, nao hesita.. e a gente vai, e somente vai, e não sabe mais para onde. Penso até ser perigoso isso, onde eu posso chegar quado estou ali? O controle se solta da minha mão e a vela do meu barco fura. Aí o mar, manso ou bravio, domina e eu não sei mais. Paralisa e ao mesmo tempo vem tudo e passa tão rápido que eu não consigo ver. Acho que uma pessoa assim pode fazer o que quiser comigo, e pensar assim não é muito confortável, dá insegurança. Só que ali na frente, não há nada. Como assim nada? Aquele nada específico, um tipo de torpor, ou talvez um transe.. é um nada que a gente sabe como é mas não sabe explicar. Não sei se essas pessoas sabem que tem esse poder. Ninguém sabe o que pode provocar no outro. Como temos influência uns sobre os outros.. Isso é bom?
Tenho medo de encontrar muitas pessoas assim na minha vida, porque desse jeito vou viver sempre à deriva.



Silvia

Sunday, November 05, 2006

My Every Day Life - Pt. 1

Sempre a ele retorno, meu amuleto coberto por uma pele de couro pálido, solando folhas tortas, algumas já quase ilegíveis - minha velha agenda de telefones. Nesse pequeno caderno eu me apoio, com alguma esperança, sempre que a solidão me bate. Magra, surrada, ela não se cansa de me oferecer surpresas, de me agitar as idéias. É inesgotável minha agenda.
Gosto de folheá-la ao acaso. Amigos, inimigos que já foram amigos, amigas, ex-namoradas, ou namoradas possíveis, parentes próximos ou distantes: o círculo de pessoas que faz de mim o sujeito disperso, mas inquieto, e quase sempre entusiasmado, que sou. Pessoas que, de modos diferentes, me completam. Me delimitam.
Podia ligar para o Paulo. Mas o Paulo vai querer jantar num daqueles restaurantes finos, e será preciso que eu escolha um de meus ternos, quando não é hora de vestir um terno. Não tenho gosto definido, sou um cara que sabe mudar: há muitos momentos em que ternos me caem bastante bem – mas não agora, que acabei de sair do banho, ainda com os cabelos encharcados a pingar sobre meu peito, metido num velho calção de ginástica, a espreguiçar em meu sofá.
Ia direto para o computador, mas algo dentro de mim me soprou: é melhor, antes, dar uma olhada na agenda. Minha agenda, minha musa. Ao toca-la eu me inspiro.
Tenho uma agenda eletrônica, uma segunda agenda embutida em meu micro, mas não dispenso a velha companhia. Talvez seja o cheiro de couro que faz lembrar uma infância cheia de cavalos, de botas longas, de coletes rústicos, de chicotes. Infância na fazenda, pedaço do sujeito que sou agora. A vida disposta à minha frente, cheia de pedaços desconexos, um jogo de armar.
Talvez deva seguir meu instinto e, meio bicho, telefonar para Ana. Mas com ela o amor é muito rápido: é psicóloga, gosta das coisas claras, não suporta nuances; eu sou um sujeito cheio de nuances, mas ela diz que sou lento, porque só entende de homens diretos e sem pensamentos.